Fabio Baptista
Fabio Baptista
Fabio Baptista 
  • Marco Piscies

Geek Game Rio Festival 2017


Neste sábado (22 de Abril de 2017), fui completamente contra a minha natureza fria e calculista e comprei, por impulso, um ingresso para o Geek Game Rio Festival 2017. Era um final de semana prolongado, que começou na sexta-feira, dia de Tiradentes, e no qual eu planejava pura e simplesmente relaxar, escrever meus textos ao som da chuva caindo lá fora, comer comidas gostosas e assistir a seriados com a minha esposa.

E o plano ia bem, até que, no final de noite da Sexta-feira, enquanto navegava pelo facebook, deparei com um post do Eduardo Sphor avisando que estaria presente no evento. Mostrei o post para a minha esposa, e ela falou: vai. Vinte minutos depois, eu estava com o ingresso (virtual) na mão (no meu celular, que estava na minha mão).

Então, a manhã de Sábado, que deveria ser preguiçosa, com cheiro de pão recém-saído do forno e nescafé, encontrou um Marco ansioso, fazendo planos para chegar no horário e contando quanto dinheiro poderia gastar com nerdices.

Segue um breve resumo do dia de Sábado do evento.

GEEK GAME RIO FESTIVAL 2017

Nota 9/10

Opinião geral: o fato do evento acontecer no RioCentro já apara as arestas de 70% dos problemas comuns em eventos desse naipe. Os banheiros eram limpos e gratuitos. A organização do evento estava mandando muito bem (não era difícil mandar bem, considerando que o lugar estava um tanto vazio para o seu tamanho). Haviam funcionários sempre dispostos a tirar dúvidas, sinalizações claras, ausência total de filas na entrada e na maioria dos estandes, e um preço acessível.

Todas as atrações estavam bem apresentadas e organizadas, inclusive os estandes de livros, HQs, miniaturas e afins. A arena preparada para a galera assistir Counter Strike e League of Legends estava perfeita, contando com narradores ao vivo para animar a torcida. O palco de cosplays estava muito bem organizado e o palco para as palestras também, com direito a digitação de legendas em tempo real para os convidados estrangeiros.

E, é claro, a comida era ruim e cara, como todo bom evento deve ser.

Só não dei 10 penas por quê o evento não fugiu do óbvio e, portanto, não explodiu a minha cabeça.

DESTAQUES

Estande da Pensamento Coletivo - Um belo estande de artigos de RPG, com livros do D&D 5 em inglês a R$180,00 (enquanto a Cultura e a Saraiva cobram a bagatela de R$250,00+ pelos mesmos livros). Além disso, nas compras a vista você podia jogar 2d6 e ganhar o resultado como desconto! (E eu, como o bom azarado, tirei 3%).

www.pensamentocoletivo.com.br/

Palestras - Muito bem organizadas, com alto e bom som, sem atrasos grotescos (15 minutos são ignoráveis) e com direito a legenda digitada em tempo real.

Produtos nacionais - Uma enchurrada de produtos nacionais tomava conta do evento, com dezenas de autores de livros de fantasia, drama e ficção, além de HQs, pôsteres com artes fantásticas e artigos de RPG. Até mesmo videogames nacionais tinham estandes lá!

Tirando a arte visual (vi alguns pôsteres e quadros com arte a nível internacional), o resto dos produtos nacionais (como livros, HQs e artigos de RPG) parecem ainda engatinhar em um mercado em plena evolução. Muitos livros parecem "enlatados", seguindo premissas comuns e com nada de inovador. Mas, ao mesmo tempo, pude desenterrar verdadeiras pérolas, sobre as quais falarei mais tarde ( Provavelmente mais para o final do ano, aproveitando a bienal do livro).

Fica claro, porém, que os nossos autores não estão parados, sempre buscando os seus lugares ao sol. Espero que o nosso mercado se aprimore cada vez mais. Força!

Estande das lojas americanas - Pode parecer bobeira, mas esse estande fez uma grande diferença. As americanas aproveitaram o espaço para vender as roupas da sua linha geek, mas acho que nem eles devem saber a importância que é vender biscoitinhos doces e salgados em um evento como esse, onde um hambúrguer com pão, carne e queijo custa R$ 25,00 e a coca-cola custa R$ 6,00. Às favas com a comida! Eventos geek foram feitos para se andar por aí comendo doce e sobrevivendo com a overdose de açúcar.

Bicicletas-táxi do 99 táxis - Não é bem um destaque, mas uma expressão de admiração: que visão, nobre amigo. Que visão de negócio! As bicicletas-táxi, que eram usadas para levar os clientes de um ponto ao outro do gigantesco RioCentro, tinham direto até mesmo à sala de espera! (Eu não sei o valor da corrida. Resolvi gastar o meu dinheiro em mangás e salgadinhos).

Considerações finais

Foi um bom evento, que eu gostaria de ir novamente. Não curto estandes de videogame (não compro a ideia de esperar 1 hora na fila para jogar videogame), mas uma série de flippers com jogos antigos (cadillac dinossauro!) estavam espalhados pelo lugar, sem contar alguns estandes com jogos indie nacionais e lançamentos que dariam água na boca do gamer mais hardcore.

Para mim, o que valeu todo o evento foi a palestra "Quadrinhos como ferramenta de protesto", com os convidados Luciano Cunha (criador do Doutrinador) , Beliza Buzollo e o convidado internacional David Lloyd, criador do V de Vendetta. Farei um post apenas sobre essa palestra.

A decepção foi a palestra/conversa "Ferramentas criativas - a influência da cultura pop na formação literária", que foi o que, inicialmente, me levou a comprar o ingresso. Com um nome tão pomposo, eu esperava ouvir os convidados discursando de forma um pouco mais séria ou ao menos com conteúdo mais relevante ao público. No final, a palestra não passou de um papo a três (Sphor - Solano - Gordirro) sobre desenhos, HQs, filmes e brinquedos nostálgicos. Me senti ouvindo um nerdcast ao vivo, sentimento que, por si só, já fez valer ter assistido, mas a interessantíssima palestra com David Lloyd acabou eclipsando um pouco o papo descontraído do trio de autores.

Semana que vem falo mais sobre o evento, incluindo um detalhamento melhor das palestras e a descrição de como foi trocar 20 segundos de palavras com o primeiro autor famoso que tenho a chance de conhecer ao vivo.

Até!

#Evento #GeekGameRioFestival #Feira

15 visualizações