Fabio Baptista
Fabio Baptista 
Fabio Baptista

Bastidores: O Caçador de Espécimes

27/04/2017

Caso você ainda não tenha lido, poderá encontrar o conto clicando aqui.

 

 

Escrever O Caçador de Espécimes foi uma experiência diferente, mas ao mesmo tempo típica do meu processo de criação. As histórias vêm até mim lentamente, na forma de algumas cenas ou ideias vagas, as quais deixo que amadureçam com o tempo. Algumas amadurecem por anos até que eu sinta que vale a pena colocá-las no papel. O caçador de espécimes foi um exemplo extremo disto.

 

Quando me deparei com o desafio de escrever uma história sobre criaturas fantásticas para o Entre Contos, as primeiras ideias que me vieram à mente foram cenários de fantasia medieval e todos os seres que neles vivem: dragões, elfos, gnomos, hidras e afins. Decidi que não escreveria sobre nada disso. Senti que era óbvio demais. Minhas influências de ficção científica falaram mais alto então, e comecei a ter os primeiros vislumbres de O Caçador de Espécimes. Só que as ideias pareciam complexas demais, ou extensas demais, para um conto curto de apenas quatro mil palavras. Decidi que deixaria esta ideia amadurecer, como sempre faço, e que em algum momento no futuro eu a escreveria, quando já estivesse suficientemente madura.

 

O tempo passou e eu não conseguia pensar em mais nada. A ideia do Caçador de Espécimes era apenas um embrião: havia a Besta Paradoxal e havia o personagem principal que, a princípio, era o próprio Lahal. Em algum momento resolvi desistir do desafio, já que não conseguia imaginar nenhuma história suficientemente curta e interessante para publicar.

 

Uma semana antes da data final para entrega dos contos, as ideias começaram a vir em ondas - ou melhor, tsunamis. Talvez o nervosismo ou a enorme vontade que eu tinha de participar do desafio tenha acelerado o processo de amadurecimento da história na minha cabeça. Em poucos dias, eu tinha um enredo pronto para ser colocado no papel. Vi que faria mais sentido se Lahal fosse uma vítima da Besta Paradoxal, para que ele pudesse então caçá-la. O personagem principal do conto deveria ser uma isca o tempo inteiro. Então, tive que inventar uma forma de fazer com que Lahal percebesse que fora uma vitima. Por incrível que pareça, um dos últimos elementos que imaginei foi Planck, que acabou sendo, por si só, uma criatura fantástica.

 

O conto em si foi escrito em dois dias. Todo o texto principal foi escrito em um dia, com seis mil palavras. No dia seguinte, cortei parágrafos até alcançar o limite esperado de quatro mil, então aluguei meu pai para que ele fizesse a revisão. Eram oito horas da noite quando comecei a reescrever o texto, aplicando as correções sugeridas na revisão. Lembro que entreguei o conto pouco antes da meia-noite. Se fosse necessário entregar em mãos, as minhas estariam tremendo.

 

Hoje, vejo este conto com grande carinho. Ele deixa muitas portas abertas, o que me levou a querer escrever contos que as explorassem. Ao que tudo indica, esta não será a última empreitada de Lahal, Planck e, por que não, até mesmo Mirno.

 

Texto publicado originalmente na Segunda Antologia "Devaneios Improváveis", do Entre Contos.

Please reload

Posts Em Destaque

Review: A Roda do Tempo livro 1: O Olho do Mundo

29/11/2017

1/3
Please reload

Posts Recentes

April 29, 2019

February 3, 2019

July 6, 2017

Please reload

Arquivo
Please reload

Procurar por tags