Fabio Baptista
Fabio Baptista 
Fabio Baptista

Goddland - Capítulo 3

12/06/2017

 

Escrever Goddland tem sido uma experiência mais demorada do que eu imaginava. Meu intuito era escrever capítulos pequenos - entre 1.500 e 3.000 palavras. Mas acabou que estou me vendo escrever capítulos com 6000+ palavras. Tenho que aprender a me policiar.

 

Mas, de qualquer forma, está aí, acabou de sair do forno o terceiro capítulo da série! Boa leitura!

 

Abaixo uma amostra do capítulo. Você pode ler toda a história no meu wattpad.

 

Apenas formigas

 

Era impossível derrotar o dragão.

 

O tempo se arrastava devagar para os heróis, enquanto entendiam, minuto após minuto, a real extensão do poder do inimigo. Haviam marchado até as profundezas da Floresta da Tempestade, os corações inflamados por honra, justiça e glória, e lá engajaram na peleja pela morte do Dragão Negro, que há algum tempo assolava a região com sua presença profana. O sol cintilava nas armaduras de aço e nas lâminas das espadas e machados. A noite ainda era uma promessa distante e que, para dois dos bravos guerreiros, jamais seria cumprida.

 

Nechtorion projetava o seu corpanzil escamoso por cima das copas das árvores mais altas, rugindo, mordendo e pisoteando, atingindo escudos e armaduras com força sobrenatural, rasgando a carne e extraindo gritos tortuosos dos mais valorosos heróis de Goddland. Seus olhos reptilianos miravam de cima os seus pequenos desafiadores tantos metros abaixo.


A uma distância não tão segura, Wolfgang sentia o sangue fugir pelas feridas no seu corpo. Uma das garras traseiras da criatura havia penetrado consideravelmente um dos seus braços, e ele não sabia ao certo quantos ossos havia fraturado ao absorver o impacto das pancadas que o dragão distribuía a torto e direito. Agora se afastara para recuperar o fôlego, mas seus ouvidos ainda captavam os sons do infindável confronto. A mata estava tomada por brados de guerra, gritos de agonia e palavras mágicas urradas em desespero, todos sobrepostos pelos rugidos malditos do dragão negro, que faziam a terra tremer.

 

Wolfgang olhou a palma da mão, trêmula e pintada de vermelho pelo sangue que escorria da ferida aberta. Havia perdido uma das Adagas Gêmeas durante a luta, mas a outra mão, que o apoiava no chão, ainda segurava firme a arma mágica que lhe restava. Seria o suficiente? 

Seriam os Doze suficientes para derrotar aquela criatura, que parecia o próprio mal encarnado?

 

- Wolfgang!

 

Gritou Neville, o Valente, enquanto corria para dentro de uma cratera aberta no chão. Pouco antes de se empoleirar dentro da fissura, ao notar que havia captado a atenção do amigo, o guerreiro apontou na direção do dragão. Wolfgang virou-se a tempo de avistar Nechtorion a puxar o ar para os pulmões, preparando-se para varrer a terra novamente com a sua baforada virulenta. Correu na direção de uma grande rocha que se projetava para o céu, rodeada por árvores mortas e ressequidas, a poucos passos dali. Jogou-se até ela no último segundo, usando-a como proteção contra a rajada de doença que foi soprada para todos os lados. O ar viscoso ricocheteou na rocha e espalhou-se pelas árvores já sofridas: a madeira secou ainda mais, as poucas folhas que sobravam viraram pó. O chão enegreceu-se, e a própria rocha parecia derreter, não em calor, mas em enfermidade.


Ali perto, uma voz conhecida gritou em agonia. Wolfgang procurou a sua fonte e encontrou Savos, um dos Doze, um mago experiente e idoso, mas que não havia conseguido fugir da baforada mortal. Agora urrava de dor, ajoelhando-se enquanto o sangue brotava dos seus olhos, nariz, boca e poros. Próxima dali, Melissa gritou o nome do mago e correu na sua direção. Wolfgang foi mais rápido, levantando e colocando-se entre ela e o amigo que definhava.

 

- Não chegue perto dele. Savos já era!

 

Os olhos arregalados da sumo-sacerdotisa encontraram os seus, cheios de dúvidas. Melissa tinha um olhar vítreo, e Wolfgang notou a forma como as suas mãos seguravam, vacilantes, o cetro que carregava. Atrás dela, há poucos metros, uma trilha se destacava na mata, chamativa. A opção de percorrê-la era agora genuína: ela os levaria até a estrada que, por sua vez, os levaria para Skyreach: de volta para a segurança e longe de todo aquele inferno.

 

Uma trombeta soou no campo de batalha, em algum lugar entre eles, o dragão e as árvores. Eram notas harmônicas e inspiradoras, seguidas da voz poderosa de Dorian, que gritava em escárnio.

 

- É só isso que você pode fazer, sua lagartixa de merda? É só isso? Eu te como no café da manhã!

 

O bardo gritou uma risada insana, que invadiu os corações de Wolfgang e Melissa, renovando o espírito de luta que tentava fugir das suas almas vez após vez. Com a mão que agora estava livre, Wolfgang alcançou o cabo de uma espada curta que carregava consigo, retirando-a de dentro da bainha com um movimento rápido, e tratou de correr de volta ao dragão. Nechtorion estava a menos de cinquenta metros dali, destruindo árvores e tentando matar os heróis que, persistentes, ainda permaneciam vivos. Melissa o seguiu de perto.

 

- Onde está Lilliane? - ela gritou. 

 

O aventureiro sabia instintivamente onde a sua irmã estaria, então olhou para o alto e tentou distinguir o característico som das flechas cortando o ar. Encontrou Lilliane em um segundo, sobre uma das árvores que ainda permanecia de pé. Ela se equilibrava com perfeição, os pés pequenos apoiados nos galhos frágeis, e disparava uma tormenta de flechas na direção do monstro. Melissa seguiu o seu olhar e respirou aliviada ao avistar a arqueira.

 

Súbito, a voz de Neville soou forte atrás deles. O guerreiro havia escalado o seu caminho de volta, saindo da cratera que havia usado como proteção contra a baforada do dragão. Algo em sua constituição denunciava que a empreitada não havia logrado o êxito que deveria.

 

- Fiquem atrás de mim! - ele falou. Andava impetuoso na direção dos dois, espada larga brandida com as duas mãos, a armadura pesada em frangalhos.

 

- Nev, os seus olhos… - Melissa se aproximou - estão vertendo sangue…

 

- Bobagem! - o famoso guerreiro afastou o toque da sumo-sacerdotisa e iniciou uma nova investida na direção de Nechtorion. Foi interrompido por Wolfgang, que segurou o seu braço com força.

 

- Venha comigo Nev. E você também, Melissa. Eu tenho um plano.

 

Gostou? Clique aqui para ler a história completa no wattpad. Não esqueça de deixar o seu comentário e dar uma "estrelinha" lá!

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